Lectinas do muco cutâneo do Peixe-escorpião Scorpaena plumieri: caracterização bioquímica e investigação do potencial biotecnológico.
Nome: PRICILA MEIER SOUZA
Data de publicação: 08/12/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| FABIANA VASCONCELOS CAMPOS | Examinador Externo |
| JULIANA BARBOSA COITINHO GONCALVES | Coorientador |
| RITA GOMES WANDERLEY PIRES | Examinador Interno |
| SUELY GOMES DE FIGUEIREDO | Presidente |
Resumo: Lectinas são proteínas que reconhecem carboidratos, especialmente aqueles presentes em glicoconjugados, e participam de processos biológicos essenciais, como comunicação celular, resposta imune, infecções, apoptose e metástase, o que as torna moléculas de elevado potencial biotecnológico. Considerando que o muco cutâneo de peixes é uma fonte promissora dessas proteínas, este trabalho teve como objetivo purificar e caracterizar lectinas presentes no muco de Scorpaena plumieri. Duas isolectinas, denominadas LecSpM-I e LecSpM-II, foram purificadas por cromatografia de filtração em gel (Sephacryl S-200). As análises por MALDI-TOF MS e LC-MS/MS revelaram que ambas as lectinas formam homodímeros, cujos monômeros apresentam massas de 15.858 Da (LecSpM-I) e 13.022 Da (LecSpM-II), e indicaram tratar-se de isoformas homólogas à plumieribetina, uma lectina do tipo B previamente descrita no veneno desta espécie de peixe. Ensaios por SDS-PAGE/PAS e imunoblot confirmaram a natureza glicoproteica e o estado oligomérico das proteínas purificadas. As LecSpMs apresentaram citotoxicidade moderada, promovendo redução da viabilidade celular metabólica (VCM) em linhagens tumorais (C6 e RKO) e não tumorais (HEK293 e RAW), conforme demonstrado em ensaios com resazurina. Além disso, exibiram atividade antitrombótica, inibindo a agregação plaquetária induzida por colágeno, o que sugere uma possível interação funcional com mediadores-chave da hemostasia. A purificação e a caracterização inicial dessas lectinas constituem um passo essencial para compreender suas propriedades químicas e biológicas. Os resultados obtidos reforçam o potencial biotecnológico das lectinas do muco de peixes, com possíveis aplicações em oncologia, hemostasia e glicobiologia, além de ampliar o conhecimento sobre a diversidade molecular do muco cutâneo e evidenciar os organismos marinhos como fontes relevantes de biomoléculas bioativas.
